sexta-feira, 18 de julho de 2014

COMO PREPARAR SEU FILHO PARA A VIDA


Que pai não sonha com a felicidade e o sucesso dos filhos? É para ajudá-los a chegar lá que sempre tentamos proporcionar as melhores experiências, a melhor escola, e, até, os melhores amigos para eles. Mas, para usufruir tudo isso, as crianças precisam aprender a lidar com os sentimentos. Só assim conseguirão superar as frustrações que vão enfrentar durante toda a vida.
Ao longo deste artigo, você vai encontrar as definições de dez habilidades emocionais fundamentais para o seu filho se desenvolver em todos os aspectos – e vai descobrir como ajudá-lo a fazer isso no dia a dia.
Basta o filho nascer, ou melhor, basta descobrirmos que vamos ser pais, para querermos ter certeza de que ele vai crescer feliz e conquistar tudo o que desejar (e um pouquinho mais, por que não?). E, para tentar garantir essa realidade, começa com que parece ser um plano infalível: oferecer bons professores e cursos de idiomas, fazer poupança para faculdade, proporcionar viagens de intercâmbio, matricular em uma atividade física...
Claro, tudo isso é de extrema importância, principalmente para que ele se desenvolva intelectualmente, adquira cultura e descubra seus talentos e preferências, mas existe outro componente fundamental, sem o qual nada disso funciona direito: a capacidade de aceitar, entender, lidar com as emoções.
Isso significa que, para enfrentar os desafios e alcançar seus objetivos, além de boas notas no boletim, seu filho vai precisar de uma boa dose de jogo de cintura para aprender a esperar, a trabalhar em grupo, a expressar suas opiniões e a não desistir de suas empreitadas. O primeiro dia na educação infantil, o fora da namorada na adolescência, a disputa por uma vaga na faculdade, a busca do primeiro emprego.
Todos obstáculos que serão superados com mais tranquilidade se ele souber administrar o que sente e pensa não só com a cabeça, mas também com o coração.
É aí que as dez habilidades emocionais vão ajudar, e muito. São elas: a autoconfiança, a paciência, a coragem, a tolerância, a persistência, o controle dos impulsos, o autoconhecimento, a empatia, a comunicação e a resistência às frustrações.
E não caberá à escola, apenas, passar esse importante aprendizado: ele está intimamente ligado aos ensinamentos que você passa ao seu filho desde o primeiro dia de vida, sem nem mesmo perceber. É como você encara cada choro, como explica e mantém cada decisão sua – de que ele não pode sempre comer só o que quiser ou fazer apenas o que tem vontade - e como administra a sensação para lá de incômoda de vê-lo triste ou magoado. Experiências desegradáveis também são fundamentais para que ele esteja preparado para tudo o que ainda vai ocorrer na vida.
E que ele precisará lidar estando você por perto ou não. Por isso mesmo é muito melhor que ele aprenda isso com o seu carinho.
Você já deve ter ouvido falar ou até já conheceu crianças com um raciocínio lógico muito rápido e apurado que não conseguem fazer amigos e entram em pânico diante de uma impossibilidade. Quando começam a vida escolar e precisam conviver com outras crianças e se adaptar a regras, elas se tornam agressivas ou acabam se isolando. É a prova de que desenvolvimento intelectual não é igual a desenvolvimento emocional.
Se você acha que seu filho é inteligente o suficiente para “pular” uma série, avalie antes, junto com os professores, se ele tem maturidade psicológica para isso. Afinal, não basta ser craque em matemática ou história. As crianças precisam aprender a usar as emoções a seu favor desde cedo. É o que os especialistas chamam de inteligência emocional.
O termo ficou conhecido em 1995, quando o psicólogo e jornalista norte-americano Daniel Goleman lançou o livro Inteligência Emocional – Por que Ela Pode Ser mais importante que o QI (Ed. Objetiva). Ele reuniu pesquisas, dados científicos, exemplos do cotidiano e informações de especialistas para falar sobre a importância de reconhecer e administrar as emoções, as nossas e as dos outros, e usá-las de maneira eficiente para tomar decisões, construir relações, alcançar objetivos e, principalmente, lidar com os altos e baixos da vida.
“A inteligência emocional nada mais é do que a capacidade de se adaptar ao mundo. O ser humano não se desenvolve, inclusive mentalmente, sem o contato com o outro e com o meio que o cerca. Por isso precisa aprender a estabelecer essas relações de uma maneira boa para ele e para os outros”, explica a psicóloga Ceres de Araújo, uma das mais importantes especialistas em crianças e adolescentes do Brasil e autora do livro Pais que Educam – Uma Aventura Inesquecível (Ed. Gente).
O equilíbrio emocional também é importante para o desenvolvimento das habilidades intelectuais: um não acontece sem o outro. Foi o que mostrou um estudo da ONG Colaboração para a Aprendizagem Acadêmica, Social e Emocional (Casel, na sigla em inglês), fundada por Goleman em 94. Os pesquisadores analisaram dados de 270.024 crianças do ensino infantil ao médio de 213 escolas norte-americanas que incluíram em seu currículo programas de ensino emocional e social (SEL, na sigla em inglês).
Nas aulas, as crianças aprendem na prática a verbalizar seus sentimentos e relacioná-los às situações. Por exemplo, contar o que fazem quando ficam com raiva (gritar, chorar, brigar). Além de melhorar suas habilidades de relacionamento e para lidar com emoções, as crianças tiveram um ganho de 11% em seu rendimento escolar. A escola é um espaço importante para o desenvolvimento emocional e social, mas os principais modelos ainda são, como sempre, os pais.

Aprendizado diário
Seu filho tem 3 anos e está brincando no quarto quando você entra e diz: “Hora de tomar banho!”. Não será nenhuma surpresa se a primeira reação dele for se recusar a deixar a diversão de lado. Se você insistir, é bem possível que ele tenha um ataque de choro. Isso acontece porque a criança não está conseguindo lidar com a frustração, embora pequena, de ter que parar o lazer para cumprir um dever. “O que define o desenvolvimento emocional é segurança, física e afetiva. E o que promove essa segurança é a clareza do que eu posso e do que eu não posso. Em outras palavras, estabelecer limites”, diz Edimara.
Manter-se firme e dar disciplina é o que vai garantir que essa situação de conflito ensine seu filho não só a esperar e a tolerar as impossibilidades, mas também a identificar, entender e administrar suas emoções diante de cada situação. Pegue seu filho pela mão, com carinho, mas firmeza e, enquanto o leva até o banheiro, diga que entende que ele não quer parar de brincar, mas que não há outra opção. “Os pais precisam autorizar e entender o sentimento da criança, mas ao mesmo tempo mostrar que aquilo é necessário naquele momento, que ele não precisa gostar do limite, mas tem de aceitá-lo e aprender a controlar o seu comportamento”, explica Iuri Capelatto, psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos e professor de Desenvolvimento Emocional no curso de pós-graduação de Neuropsicologia Aplicada à Neurologia Infantil da Unicamp.
Para ajudar as crianças com as suas emoções os pais precisam aprender eles mesmos a lidar com situações que nunca haviam vivido antes da chegada dos filhos. Afinal, em momentos como esses, as habilidades emocionais dos próprios pais são colocadas à prova.
Como não enlouquecer diante de uma birra? De acordo com o psicólogo norte-americano Marc Breckett, pesquisador do Departamento de Psicologia da Universidade de Yale, há muitos fatores que podem influenciar a inteligência emocional de uma pessoa, como o contexto cultural, o histórico familiar e a educação, mas o mais forte ainda é o exemplo. “Nossas mais novas pesquisas mostram que a exposição a modelos de comportamento que demonstram habilidades emocionais ajuda as crianças a desenvolverem essas mesmas habilidades”.
Manter a calma diante de uma birra daquelas não é tarefa fácil, mas ao gritar de volta você só vai demonstrar que também está com as emoções à flor da pele. Sim, às vezes você perde a cabeça, mas tente contar até dez, respirar fundo e pedir desculpas. Assim você já vai estar, inclusive, ensinando seu filho a lidar com o nervosismo e a raiva quando ele se sentir assim.

1 - Autoconfiança
Ressaltar as qualidades do seu filho e mostrar que você acredita na capacidade dele é a chave para que ele faça o mesmo. Na hora de repreendê-lo, por exemplo, foque no comportamento ruim em vez de rotulá-lo. “É preciso censurar o fato e não quem o praticou. Se eu digo a uma criança que ela é teimosa, ela vai acreditar nisso e ser mais teimosa”, explica Edimara de Lima, psicopedagoga e diretora da Prima Escola Montessori, em São Paulo.
Reforce o que for positivo, mas não elogie sempre, só por elogiar, para não criar uma postura arrogante nem uma pessoa que não saberá lidar com críticas. No dia a dia, mostre que ele pode contar com seu
apoio para realizar tarefas simples, como escovar os dentes, mas, ao mesmo tempo, dê autonomia para que ele aprenda a fazer sozinho e encontre a sua própria maneira.

2 - Coragem
Ter medo de algo que não conhecemos ou não conseguimos entender é natural, e até esperado. Toda criança já teve medo do escuro ou do bicho papão. Para ajudar seu filho a encarar esses e muitos outros receios que vão surgir (do vestibular, de aprender a dirigir e até de conhecer a sogra), dê espaço para que ele expresse e entenda o que está sentindo. Uma boa dica é usar livros e filmes que falem sobre esses medos.
O primeiro dia na escola pode parecer assustador, mas depois que ele enfrentar as primeiras horas e se acostumar com a classe vai perceber que está tudo bem, e que ele nem precisava ter ficado com tanto medo. “A coragem é essencial para que possamos aceitar desafios, ir atrás dos nossos objetivos, aprender coisas novas e defender os nosso valores”, afirma Steven Brion-Meiseis, educador que há 35 anos trabalha com o tema e é professor da Escola Superior de Educção de Harvard, da Lesley University (ambas nos EUA) e da Universidade de Los Andes (Bogotá, Colômbia).

3 - Paciência
“Tá chegando?” Quantas vezes você já ouviu isso durante uma viagem longa? Aprender que não podemos controlar tudo e que é preciso saber esperar não é fácil nem para nós, adultos, imagine então para uma criança que está ansiosa, entediada ou ainda não entende totalmente a passagem do tempo. Mas as filas de banco e as salas de espera de consultórios médicos são apenas algumas das situações que vão exigir do seu filho paciência.
Mostre para ele que cada coisa tem o seu tempo. Um jogo em família ou uma conversa na mesa de jantar são bons exemplos de situações cotidianas em que cada um precisa esperar a sua vez, seja para jogar ou para falar e ser ouvido.

4 - Persistência
Quando estiver aprendendo a andar, seu filho vai se desequilibrar e cair, e por isso mesmo precisa do seu apoio e incentivo para perceber que um pouco de treino e muita persistência vão garantir seus primeiros passos. E esse é apenas um dos muitos desafios que ele vai enfrentar, então não caia na tentação de fazer tudo por ele. “O estímulo positivo é importante.
Mostre que o fato de ele não ter sucesso naquele momento, naquela atividade específica, não quer dizer que ele nunca vai conseguir vencer o desafio”, diz Quézia Bombonatto, terapeuta familiar e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Só assim ele vai poder traçar metas e superar os obstáculos para alcançar seus objetivos sem desistir no meio do caminho.

5 -Tolerância
Quando vai para a escola, seu filho entra em contato com dezenas de outras crianças com realidades e comportamentos diversos e muitas vezes totalmente diferentes de tudo que ele conhece. Aprender a aceitar essas diferenças é o começo do caminho para uma convivência tranquila e harmoniosa com o outro. “É importante criar oportunidades de interações mais cooperativas, como jogos coletivos, para que a criança comece a conhecer tanto as regras quanto as necessidades dos outros”, afirma o psicólogo Ricardo Franco de Lima, especializado em Neurologia Infantil.
E os seus modelos também contam muito para o desenvolvimento da tolerância do seu filho. Ele só vai aprender a compreender o outro se vir os pais fazendo isso no dia a dia. Quer um exemplo? Sua atitude com os mais velhos é que vai ajudá-lo a ter paciência com os avós e com o irmão mais novo.

6 - Autoconhecimento
Quem sou eu? Eu gosto disso ou prefiro aquilo? Essas indagações só vão passar pela cabeça do seu filho por volta dos 3 anos. É quando ele vai começar a se questionar, a se perceber e, claro, a expressar suas vontades, agora com motivos e razões mais consistentes. Aos poucos, ele vai se conhecer melhor e isso será fundamental para que ele pense e aja com mais segurança, respeitando o que sente.
Também é primeiro passo para se relacionar com as pessoas à sua volta. “A criança aprende primeiro a se relacionar com ela mesma, a entender o que sente, para depois transferir esse conhecimento para a relação com o outro”, diz a psicopedagoga Quézia Bombonatto. Incentive seu filho a perceber quais são suas preferências, pergunte, peça
para ele explicar, conte as suas próprias histórias. Sempre ofereça opções e pergunte de qual ele gosta mais e o porquê.

7 - Controle dos impulsos
Uma sala vazia, uma criança de quatro anos e um marshmallow. A proposta é simples: ela pode comer o doce ou esperar e ganhar mais um, ficando com dois. Esse teste foi criado por um pesquisador da Universidade de Standford (EUA) há mais de 50 anos para analisar quais crianças eram capazes de controlar suas emoções para conseguir conter seus impulsos.
O estudo voltou a analisar as mesmas crianças anos depois, no ensino médio, e aquelas que resistiram à tentação de comer o primeiro marshmallow por cerca de 20 minutos tinham um desempenho escolar maior do que as que comeram. Isso porque elas sabiam adiar a satisfação para ter o que queremos, por isso é tão importante controlar o desejo e as reações frente aos impulsos”, diz o psicoterapeuta Iuri Capelatto.Em casa, terá dias que ela vai querer comer correndo para ganhar logo a sobremesa. Mas ensine que ele deve, primeiro, esperar todos acabarem o jantar.

8 - Resistência às frustrações
“Dizer não é a maior prova de amor que um pai pode dar”, afirma a psicóloga Ceres de Araújo. É assim, com pequenas doses de frustração, que seu filho vai aprender a lidar com as adversidades e a superar os problemas sem se deixar abater. Isso é o que os especialistas chamam de resiliência, ou seja, a capacidade de sobreviver às dificuldades e usá-las como fonte de crescimento e aprendizado.
Se ele não souber lidar com pequenos “nãos”, como “aí não pode”, “é hora de ir embora”, “esse brinquedo é caro demais”, terá mais dificuldade de aceitar e superar o não do chefe ou da namorada, por exemplo. E tentar poupá-lo só vai atrapalhar. “Os pais precisam parar de confundir felicidade com satisfação de desejos. As crianças precisam ter contato com pequenas impossibilidades para poder lidar com as maiores depois”, completa a psicopedagoga Edimara. Portanto, não se culpe por ter de dizer não a ele de vez em quando. Isso só fará bem para todos vocês!

9 - Empatia
Até por volta dos 2 anos, a criança só consegue ver as coisas a partir da sua perspectiva. A partir dessa idade ela já consegue se colocar no lugar do outro e pode começar a exercitar plenamente a empatia. “Para que seu filho entenda o que oura pessoa está sentindo, ele precisa de ajuda para reconhecer, nomear e expressar suas próprias emoções, bem como as consequências das suas ações”, diz o psicólogo Ricardo de Franco Lima.
Diante de um conflito, pergunte por que ele agiu assim, o que pensou e sentiu e incentive-o a imaginar o que o outro está sentindo também, levantando possibilidades, mas deixando que ele mesmo crie maneiras de resolver a briga.

10 - Comunicação
Conversar sobre o que seu filho fez durante o dia é um estímulo para que ele aprenda a organizar as ideias e transformá-las em frases de uma forma que os outros possam compreender. Provavelmente a primeira resposta será “legal”, mas não desista! Fazer outras perguntas ou até falar sobre o seu dia também pode ajudar. Afinal, de nada vai adiantar ele ter boas ideias se não conseguir contá-las aos outros. “Outras atividades que favorecem a interação verbal também são importantes, como contar e recontar histórias, interpretar essas mesmas histórias e ler um livro junto com os filhos”, diz o psicólogo Ricardo Franco de Lima.
Mas mesmo antes de aprender a falar, o bebê já se comunica por meio de gestos e precisa ser estimulado a verbalizar. Se ele apontar para um objetivo, por exemplo, em vez de entregá-lo prontamente, pergunte o que ele quer, fale o nome do objeto e dê um tempo para ele tentar articular alguns sons. Depois que ele aprender a ler e escrever, procure ensiná-lo também que, além da linguagem do bate-papo com os amigos, será importante para a vida que ele saiba o português formal, por mais complicado que isso possa parecer.

Fonte: Ivete Gianfaldoni Gattás, psiquiatra e coordenadora da unidade de psiquiatria da infância e adolescência da UNIFESP; Joseph Durlak, psicólogo e professor da Universidade Loyola, em Chicago (EUA); Márcia Silva Rosa, professora do ensino fundamental e médio da Escola Municipal Heráclito Fontoura Sobral Pinto, em Curitiba (PR) e Theodora Maria Mendes de Almeida, diretora pedagógica da escola de educação infantil Bola de Neve e do colégio Hugo Sarmento, ambos em São Paulo.



terça-feira, 15 de julho de 2014

Pessoal tenho percebido que a publicação mais lida no blog é o meu artigo que é parte integrante deste livro, por isso, é com imenso prazer que divido com vocês este email.

"Prezada autora,

Informamos que recebemos a segunda edição do livro Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem, onde você tem artigo publicado. A organizadora do livro Simaia Sampaio me pediu que lhe enviasse exemplares deste livro como cortesia.
Pedimos que nos informe o endereço para onde devemos enviar os livros".
Luiz - WAK Editora
O livro faz uma reflexão sobre a necessidade de os educadores entenderem a normalidade no processo ensino-aprendizagem para que possam atuar nos problemas e disponibiliza subsídios teórico-práticos necessários à compreensão para que possam estabelecer o diagnóstico diferencial entre DIFICULDADES, DISTÚRBIOS e TRANSTORNO da aprendizagem. Aborda, em linguagem acessível, os transtornos e distúrbios mais comuns que afetam as crianças em idade escolar. 

Para quem desejar adquiri-lo, entrar em contato pelo email: chesca.andrade@hotmail.com

terça-feira, 3 de junho de 2014

PROJETO DE INTERVENÇÃO TDAH NA ESCOLA GANHA PRÊMIO COMO A MELHOR INICIATIVA EM EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PIAUÍ



“Se consegui ver mais longe, foi porque estive de pé sobre ombros de gigantes”. Isaac Newton
O maior de todos eles é DEUS, SENHOR DO TEMPO E DA ETERNIDADE, porque sem ELE nada se fez, se faz ou fará!
Agradecimentos ao ex-prefeito Zito por acreditar e apoiar esta ideia quando ela era apenas um esboço no papel; à ex-secretária de Educação Lúcia Aquino; ao então Pároco, Padre Rivaldo Muniz; ao Vereador Humberto Tavares, ex-secretário de Assistência Social, pelo apoio e incentivo ao despertar desta iniciativa; ao atual prefeito Jonas Moura de Araújo por continuar acreditando e fornecendo o suporte necessário; às Secretarias de Saúde e Educação em nome das Secretárias Margareth Pimentel e Cleidimar Tavares; aos amigos que torceram e apoiaram se colocando do lado; à minha querida equipe, pelas trocas de conhecimento, Zen Alves e Dr. Francisco Alencar; aos que não estão mais na equipe, porém contribuíram de forma significativa: Eloane Coimbra, Ludmila, Thalita Alexandrino FreitasLeyanne LopesFábio Calado; as psicopedagogas Leudilene Pires, Carlene dos Remédios, Thaís Cardoso Siqueira e Vani Anacleto pela parceria; Aos beneficiários pela confiança dispensada. Enfim, à minha família, meu porto seguro nos momentos de desânimo e de profundo cansaço.
SOBRE O PROJETO
O Projeto de intervenção TDAH na Escola, parceria firmada entre a Prefeitura Municipal de Água Branca, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Saúde foi apresentado ao gestor municipal em maio de 2008.
Há exatos seis anos apresentávamos o projeto, que na época trazia em seu escopo apenas o objetivo de orientar as escolas sobre o transtorno, posteriormente, com a formação da equipe multiprofissional passou a ser intitulado Projeto de intervenção.
            Parece muito, seis anos de atuação para obtermos reconhecimento público através da mídia. Porém, procuramos nos pautar durante todo esse tempo em um reconhecimento, não menos importante, o das pessoas beneficiadas. Seja pela melhora no rendimento escolar (recebemos diariamente cadernos, boletins, avaliações que comprovam esta melhora) ou pela mudança de comportamento e atitudes por meio da intervenção medicamentosa. Mas, como em toda regra há exceções, temos também crianças que não evoluem e desistem do tratamento, pois não trabalhamos com a cura e sim com tratamento. Sobretudo, por se tratar de problemas crônicos, o que demanda um trabalho sistemático e gradativo, no sentido de reabilitar deficiências e estimular habilidades para a inclusão escolar. Cabendo aqui ressaltar que esses resultados exigem uma conjugação de esforços, e a adoção de um conjunto de estratégias em diferentes frentes, além da tríade: terapeuta - paciente – família, se faz necessária à parceria da escola e a vontade política dos gestores, já que é objetivo do projeto oferecer além do acompanhamento clínico e terapêutico, a medicação (quando necessária).
            Com a implantação do Atendimento Educacional Especializado – AEE - deixamos de ter uma demanda específica e passamos a atender os mais diferentes tipos de deficiências e distúrbios mentais e de comportamento, com acompanhamento neurológico, fornecimento de laudos, encaminhamento para outros profissionais, solicitação de benefícios junto à Secretaria de Assistência Social. Diariamente recebemos demandas de outros órgãos, como CREAS, Conselho Tutelar (crianças em situação de risco pessoal e social com os mais diferentes tipos de transtornos).
            Recentemente ampliamos o projeto, agora em novas instalações, para dar apoio psicopedagógico para as crianças que apresentam algum tipo de atraso cognitivo, trabalho voluntário em parceria com as especialistas em psicopedagogia:
Leudilene Pires, Carlene dos Remédios, Thais Cardoso Siqueira, Vani Anacleto, que se disponibilizaram a abraçar a causa a título de experiência. O que já nos faz pensar em mudar o título do projeto para "Projeto de Neurodificuldades".
“Daqui a cem anos, não importará o tipo de carro que eu conduzi, o tipo de casa em que morei, quanto dinheiro tinha depositado no banco, nem que roupas vesti. Mas o mundo pode ser melhor porque eu fui importante na vida de uma criança”... (autor anônimo)
Idealização e coordenação:
Francisca Maria Alves de Andrade Sousa - Psicopedagoga Clínica e Institucional; Especialista em Atendimento Educacional Especializado – AEE; Neuropsicopedagoga em formação; Formação em Neurofeedback e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH; Professora efetiva da rede municipal de Água Branca.
Parte superior do formulário


sábado, 17 de maio de 2014

O PROBLEMA DE ATENÇÃO NO TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE – TDAH – E A IMPORTÂNCIA DA INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA


Francisca Maria Alves de Andrade[1]

Os achados na literatura especializada referem que a atenção é uma função cognitiva complexa e que nela estão implicadas sub-funções como a percepção, a intenção e a ação. É por meio da atenção que conseguimos focalizar em atividades conscientes que possibilitam a percepção, a memória e a aprendizagem, pois ao direcionarmos a atenção para um determinado estímulo promovemos uma filtragem dos estímulos indesejados. O que torna a atenção, a base sobre a qual se organiza a direção e a seleção dos processos mentais. De acordo com o tipo de atividade predominante a atenção pode ser classificada em sensorial, motora e intelectual.
Apesar de esta classificação ser mais em caráter didático, pois em qualquer de suas formas conhecidas a atenção sempre implica em atividade intelectual, quer seja orientando os movimentos ou dando sentido às percepções sem perder o seu caráter de independência. A atenção apresenta aspectos inatos e aspectos que se desenvolvem após o nascimento. Nos primeiros meses de vida predomina a atenção involuntária, atraída pelos estímulos mais significativos.
No estágio de desenvolvimento que vai mais ou menos dos 18 aos 28 meses, a resposta a um estímulo novo suprime com facilidade a forma superior de atenção socialmente organizada que começou a aparecer. Uma instrução falada é ainda facilmente sobrepujada pelas informações visuais. Por exemplo: Em resposta a uma pergunta simples do tipo onde está a boneca? A criança dirige-se para procurá-la, no entanto, se for colocado ao seu lado um objeto não familiar, ao mesmo tempo em que se solicita a boneca, a criança ao invés de se deter na boneca se detém no outro objeto.
Durante toda a vida a visão constitui-se num sentido que tende a sobrepujar os demais, e por isto, objetos inseridos no campo visual tendem a atrair a atenção com grande facilidade. Somente na idade escolar está estabelecido um comportamento seletivo estável subordinado á fala de um adulto e a fala interior da própria criança. Muitas vezes a criança lê em voz alta como forma de reforçar sua atenção pela entrada de informações auditivas.
A atenção desenvolve-se gradualmente em ritmo diferente de uma criança para outra, sendo que as crianças com Déficit de Atenção mostram uma capacidade para manter a atenção seletiva inferior a de seus colegas de mesma idade e sem problemas de aprendizagem. O padrão de distração de uma criança de sete anos com TDAH pode assemelhar-se ao de uma criança de três ou quatro anos que por falta de desenvolvimento de seu processo de atenção voluntária desvia facilmente o foco de sua atenção.
Muitos fatores interferem na focalização da atenção entre eles: A afetividade; as condições de sono; o desenvolvimento da linguagem; as condições nutricionais; doenças mentais (como a depressão). Dentre os diversos problemas que podem comprometer a atenção e as demais funções a ela relacionadas está o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Este transtorno é um problema de saúde mental que tem três características básicas: a desatenção; a agitação (ou hiperatividade) e a impulsividade. Pesquisas tem demonstrado que no Brasil de 3a 6% da população com idade entre 7 e 14 anos apresentam TDAH.
No TDAH - as capacidades de manter o foco da atenção voluntária pelo tempo necessário, retomar o foco após uma distração, prestar atenção a duas coisas ao mesmo tempo (atenção dividida), mudar o foco ou desfocar, também voluntariamente estão prejudicadas. Olhando de fora, pessoas com TDAH parecem cansar das coisas com facilidade – o que fortalece os preconceitos de falta de vontade, fraqueza de caráter, etc. Quando o que ocorre de fato é que elas são levadas de um novo foco de interesse a outro foco, incessantemente. Em decorrência, não conseguem fazer nada até o final.
            Quando se fala em TDAH é comum se fazer associações àquela criança que não para quieta, que é elétrica, que fala em excesso e incomoda demasiadamente. Por mais que os estudos esclareçam que o transtorno se caracteriza por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, e que a criança não precisa apresentar os três sintomas simultaneamente para ter o transtorno, o sintoma alvo da preocupação de pais e educadores continua sendo a hiperatividade. Enquanto a criança que apresenta apenas o sintoma da desatenção vai passando despercebida porque o seu comportamento não chama a atenção, não incomoda. No entanto, embora a hiperatividade incomode os pais, professores e outras crianças, é o único sintoma que tende a diminuir com a idade, apesar de muitos portadores de TDAH continuarem apresentando ao longo da vida, uma movimentação corporal excessiva e desnecessária.
            Contudo, se com o passar do tempo a hiperatividade tende a diminuir, com a desatenção o processo é contrário. Estudos referem e as experiências comprovam que com a idade e a vinda de atividades de maior demanda, como estudar e trabalhar, a dificuldade de atenção fica mais evidente e mais fácil de ser percebida por todos e pelo próprio paciente. Quando presente em maior grau provoca dificuldade importante no aprendizado e memória, retenções e abandono escolar, com consequências muitas vezes irremediáveis para outros setores como a autoestima e a vida de relacionamentos. Pesquisas comprovam que
17 a 45% dos adultos com TDAH apresentam problemas com álcool e o risco de se viciar em  outras drogas é o dobro para quem tem o transtorno.
O trabalho do psicopedagogo com crianças com TDAH é muito importante, pois, auxilia atuando diretamente sobre a dificuldade escolar apresentada pela criança, suprindo a defasagem, reforçando o conteúdo, possibilitando condições para que novas aprendizagens ocorram e orientando pais e professores no desenvolvimento de estratégias de manejo. A sua tarefa primordial é a de afastar o sintoma e inserir a aprendizagem lúdica.
Sabendo-se que todo trabalho deve começar pela relação vincular, deve-se procurar trabalhar o componente afetivo envolvido nas atividades, mostrar-lhes a importância do aprendizado escolar para suas vidas, da compreensão de regras e do controle de sua própria conduta. As técnicas mais utilizadas são os jogos de combinações intelectuais, como damas, xadrez, carta, memória, quebra-cabeça, entre outros. Os jogos com regras permitem à criança, além do desenvolvimento da capacidade de focalizar a atenção, o desenvolvimento social quanto a limites, à participação, o saber ganhar, perder, o desenvolvimento cognitivo, e possibilita a oportunidade para a criança detectar o tipo de erro que cometeu, tendo a chance de refazer, agora, de maneira correta. Podem ser usadas técnicas que envolvam escritas, como escrever um livro e ilustrá-lo, admirar seu trabalho final, faz bem para a autoestima.
      Considerando o exposto, faz-se necessário que a pessoa portadora, os pais, educadores, enfim, todos precisam aprender sobre o TDAH, saber como ele se apresenta, como compromete o modo de ser e de agir da pessoa no cotidiano, suas reações e, principalmente que não é culpa de ninguém, nem da pessoa e nem dos seus pais.


[1] Psicopedagoga Clínica e Institucional. Especialista em Atendimento Educacional Especializado – AEE. Especializanda em Neuropsicopedagogia Clínica.

EXISTE DIFERENÇA ENTRE MENTE E CÉREBRO?



O cérebro é uma estrutura localizada no interior do crânio, que pode ser visualizada e manipulada. Sua arquitetura é caracterizada por diferentes células, substâncias químicas, como neurotransmissores, hormônios e enzimas.
A mente representa a essência do homem, que emerge da existência de funções mentais que permitem a ele pensar e perceber, amar e odiar, aprender e lembrar, resolver problemas, comunicar-se através da fala e da escrita, criar e destruir civilizações. Assim, sem o cérebro, a mente não pode existir, sem a manifestação comportamental, a mente não pode ser expressa.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Participação no Encontro Pedagógico com a oficina Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade TDAH e inclusão escolar



Quando se fala em TDAH é comum se fazer associações àquela criança que não para quieta, que é elétrica, que fala em excesso e incomoda a beça. Por mais que se procure esclarecer que o transtorno se caracteriza por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, e que a criança não precisa apresentar os três sintomas simultaneamente para ter o transtorno, o sintoma que continua sendo alvo da preocupação de pais e educadores é a hiperatividade.
 A criança que apresenta apenas o sintoma da desatenção vai passando despercebida porque o seu comportamento não chama a atenção, não incomoda. No entanto, embora a hiperatividade incomode os pais, professores e outras crianças é o único sintoma que tende a diminuir com a idade, apesar de muitos portadores de TDAH continuarem apresentando ao longo da vida, uma movimentação corporal excessiva e desnecessária.
Contudo, se com o passar do tempo a hiperatividade tende a diminuir, com a desatenção  o processo é contrário. Estudos referem e as experiências comprovam que com a idade e a vinda de atividades de maior demanda, como estudar e trabalhar, a dificuldade de atenção fica mais evidente e mais fácil de ser percebida por todos e pelo próprio paciente. Quando presente em maior grau provoca dificuldade importante no aprendizado e memória, retenções e abandono escolar, com consequências muitas vezes irremediáveis para outros setores como autoestima, relacionamento social etc.
Como sabedores de todos os prejuízos que esses sintomas, em associação ou isoladamente, causam ao portador e, sobretudo como cuidadores desses portadores, nos sentimos não só na responsabilidade, mas, na obrigação de chamar a atenção dos pais e professores para estarem atentos, principalmente neste início de ano letivo!
Por Francisca Maria Andrade
Psicopedagoga Clínica/ Especializanda em Neuropsicopedagogia
Coordenadora do Projeto de Intevenção TDAH na Escola



terça-feira, 7 de janeiro de 2014


Neurodesenvolvimento e Adolescência

É muito comum ouvirmos explicações leigas sobre o comportamento dos adolescentes e não raramente, elas vem acompanhadas de críticas excessivas que acabam rotulando-os e fazendo com que sintam-se culpados por situações sobre as quais não tem controle. Quando, na verdade, todos os "deslizes" cometidos nesta fase tão confusa de nossas vidas faz parte do neurodesenvolvimento normal do ser humano. As explicações cientificas para tanto, é que por não havermos desenvolvido ainda a racionalidade, agimos movidos pela emoção,  por ser esta a primeira área cerebral desenvolvida no ser humano e que está ligada diretamente aos instintos. Conclui-se portanto, que o agir por impulso, a busca pelo prazer e recompensa fazem parte da nossa programação genética e nada tem a ver com irresponsabilidade e/ou falta de caráter.