terça-feira, 6 de novembro de 2012

TEXTO DO DIA - O PODER DA GENTILEZA



Quem não gosta de ser bem tratado? Quem não gosta de, na hora de um aperto, ter algum por perto pra nos dá a mão? Quem não se sente bem diante de um sorriso verdadeiro? Quem não gosta de ver seu nome pronunciado por alguém? Atitudes de carinho, respeito e atenção fazem toda a diferença. E as pessoas que agem com gentileza, com respeito e consideração são sempre muito admiradas por quem recebe um comportamento tão agradável, produto de uma pessoal gentil.

Bem recentemente, peguei um ônibus lotado em direção a minha residência. Eu estava com uma mala pequena e um livro nas mãos. Depois de alguns minutos um rapaz me olhou e, gentilmente, pediu que seu filho, que estava sentado, se levantasse para me ceder o lugar. Devolvi-lhe a gentileza, dizendo que agradecia por seu gesto, mas preferia ver o menino sentado. Ele me olhou frustrado porque eu não aceitei sua gentileza, mas ao descer do ônibus, coloquei minhas mãos nos ombros dele e lhe disse: “Você é gente de qualidade, ainda bem que existem pessoas como você. Obrigado por ter sido tão gentil em me oferecer o assento”. Ele sorriu e disse: “ o senhor também”. Muito embora eu não tenha sentado, devolvi-lhe a gentileza, ressaltando seu gesto gentil.

Não há como negar que a gentileza não só nos deixa mais felizes como também nos ajuda a viver mais. Muito do que torna a vida mais difícil – uma batidinha no carro, uma porta que alguém não segurou quando você passou, um motorista de ônibus que, antes mesmo de você conseguir se posicionar dentro ônibus, arranca sem considerar que você pode cair. o caixa do supermercado sempre mal humorado - se deve à falta de consideração pelo outro. Certamente que o mundo seria bem melhor se todos fossem um pouquinho mais gentis. Ao tentarmos entrar numa rua movimentada, por exemplo, alguém nos cede passagem. No supermercado, você deixa alguém apressado entrar na sua frente na fila do caixa. No ônibus lotado, você se levanta para dar lugar a quem parece cansado.

A gentileza nos ensina que temos em nós a capacidade de ajudar os outros, principalmente os que nos são próximos, a fim de garantir nossa sobrevivência. Haja vista que o bem-estar que sentimos ao fazermos algo de bom pode nos incentivar a ter atitudes gentis com as pessoas de nossa comunidade.Mas o que é gentileza? Gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo. Dessa forma, ser gentil é um atributo muito mais sofisticado e profundo do que ser educado ou meramente cumprir regras de etiqueta, porque embora possamos (e devamos) ser educados, a gentileza trata de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos. Mas para se tornar uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo.

Percebemos que as pessoas não conseguem ser gentis porque a rotina nos cega. Pressionados por idéias equivocadas, que nos pressionam a ter sempre mais, a cumprir prazos sem nos respeitarmos, a atingir metas que, muitas vezes, não fazem parte de nossa missão de vida e daquilo em que acreditamos nos tornamos mais e mais insensíveis. E nesta insensibilidade, vamos agindo e nos relacionando com as pessoas - mesmo com aquelas que amamos - de forma menos gentil, mais apressada e mais automatizada, sem nem nos darmos conta disso. É por isso que, a meu ver, ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma moeda de troca, tem que ser uma escolha pessoal, um entendimento de que podemos fazer a nossa parte e contribuir sim para um mundo melhor. Leonardo Boff tem uma frase maravilhosa que resume bem o que quero dizer: “Não serão nossos gritos a fazer a diferença e sim a força contida em nossas mais delicadas e íntegras ações”.

Ser gentil nada tem a ver com ser bobo e fazer o que todos querem que a gente faça. Muito pelo contrário: quanto mais gentil somos com as pessoas, mais gentil somos também com nossa verdade, com nossos valores. Assim, dificilmente nos aviltaremos em nome de algo que não esteja de acordo com nosso coração. Pessoas que dizem sim a todos estão, na realidade, reforçando uma imagem de ‘vítimas da vida’, alimentando um argumento de ‘coitadinhas’, de extremamente boas e injustiçadas. Isso não é ser gentil e demonstra mais uma dificuldade em lidar com sua própria carência do que a força ou o poder contido na gentileza.

Aprender a dizer não nem sempre é uma tarefa simples. A gente aprende que tem de corresponder às expectativas de quem amamos, desde pequeninos; daí, quando crescemos, não sabemos dizer não sem nos sentirmos culpados. Daí para justificar nosso medo de dizer não, é um pulo; afinal, é bem mais fácil transferirmos a responsabilidade de nossas limitações para o outro. Ser gentil é extremamente benéfico quando se entende que a gentileza abre portas, muda o rumo dos conflitos, facilita negociações, transforma humores, melhora as relações, enfim, propicia inúmeras vantagens tanto na vida de quem é gentil quanto na de quem se permite receber gentilezas.No ambiente de trabalho, por exemplo, é fato que as empresas têm preferido, cada vez mais, profissionais dispostos a solucionar problemas e favorecer as conciliações. Afinal de contas, competência técnica é oferecida em universidades de todo o país, mas habilidades humanas como a gentileza são características escassas e muito bem quistas no mundo atual. Pesquisas diversas têm demonstrado que a gentileza também pode nos deixar mais felizes.

Não faz diferença em termos de felicidade se ajudamos um ente querido ou um estranho, mas o resultado pode ser diferente, por que o ato pequeno e anônimo faz com que a gente se sinta uma pessoa muito boa. Mas um grande ato de gentileza feito a alguém que conhecemos pode ter conseqüências sociais: podemos fazer um novo amigo ou receber agradecimentos generosos. Dessa forma, pagar um café para um estranho pode levantar o astral por algum tempo, mas auxiliar um vizinho idoso a fazer compras talvez ajude a melhorar de fato um relacionamento.

A gentileza nos faz bem de outras maneiras, por exemplo: os que ajudam os outros regularmente têm mais saúde mental e menos depressão, dizem as pesquisas. Pessoas solidárias têm menos probabilidade de sofrer de doenças crônicas, e seu sistema imunológico tende a ser melhor, porque existe uma relação direta entre bem-estar, felicidade e saúde nas pessoas. A gentileza talvez ajude a regular as emoções, o que causa impacto positivo sobre a saúde. Se nosso instinto biológico automático do tipo” lutar ou correr” ficar ativo demais por causa do estresse, o sistema cardio-vascular é afetado e a imunidade do corpo enfraquece. Portanto, é difícil ficar zangado, ressentido ou amedrontado quando se sente amor altruísta pelos outros, em outras palavras, quando se é gentil.

Rosana Braga, Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos, em seu livro “O poder da gentileza”, nos dá 10 dicas para facilitar a prática da gentileza. Diz ela: “Creio que se conseguirmos incorporar pelo menos algumas dessas ações, nossa vida já se tornará bem mais leve e gostosa.”

1. Tente se colocar no lugar do outro. Isso o ajuda a entender melhor as pessoas, seu modo de pensar e agir.
2. Aprenda a escutar. Ouvir é muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema
3. Pratique a arte da paciência. Evite julgamentos e ações precipitadas.
4. Peça desculpas. Isso pode prevenir a violência e salvar relacionamentos.
5. Pense positivo. Procure valorizar o que a situação e o outro têm de bom e perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.
6. Respeite as pessoas quando elas pensarem e agirem de modo diferente de você. As diferenças são uma verdadeira riqueza para todos.
7. Seja solidário e companheiro. Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida
8. Analise a situação. Alcançar soluções pacíficas depende de se descobrir a raiz do problema.
9. Faça justiça. Esforce-se para compreender as diferenças e não para ganhar, como se as eventuais desavenças fossem jogos ou guerras.
10. Mude a sua maneira de ver os conflitos. A gentileza nos mostra que o conflito pode ter resultados positivos e ainda tornar a convivência mais íntima e confiável.

Por Felicidade

Texto de Rosana Braga - http://www.rosanabraga.com.br/

ONDAS MENTAIS E EXERCÍCIO DE CONCENTRAÇÃO



As frequências da Consciência – Alfa Beta Delta Teta
Ondas cerebrais são formas de ondas eletromagnéticas produzidas pela atividade elétrica das células cerebrais(neurônios).
Elas podem ser medidas com aparelhos eletrônicos como o Eletroencéfalograma ou EEG.
As freqüências dessas ondas elétricas são medidas em ciclos por segundo ou HZ(Hertz).
Sabe-se que as ondas cerebrais mudam freqüentemente baseadas na atividade elétrica dos neurônios e estão relacionadas com mudanças de estados de consciência (concentração, relaxamento, meditação, etc.)

Cada um de nós tem a sua própria característica de atividade das ondas cerebrais.
Ela tem um padrão e um ritmo, e estão em níveis diferentes, conforme nossas atividades diárias, a interação de determinadas situações físicas ou emocionais podem alterar nossas ondas, nosso programa TISS tem como objetivo arrastar as ondas com distúrbios para níveis considerados saudáveis.

Veja abaixo a explicação científica de cada onda, em qual atividade ela se encontra em atividade.

Relaciona-se em processos de Atenção, Concentração, Cognição

Neste estado você está bem desperto e alerta.
Sua mente está concentrada, e você está pronto para trabalhos que requerem atenção total.
No estado Beta, os neurônios transmitem as informações rapidamente, permitindo a você atingir estados de concentração. O treinamento das ondas Beta é usado por terapeutas de biofeedback para tratar um problema de aprendizagem e concentração chamada de transtorno de déficit de atenção(TDA).

Os programas que induzem ondas Beta ajudam nos estudos, nas praticas esportivas, em preparações para apresentações em público, ou seja, analisar e organizar informações onde a concentração mental é a chave para um bom desempenho.

A faixa de ondas Beta está entre 13-30 HZ. O estado Beta está associado com concentração, atenção aumentada, melhor acuidade visual e coordenação.
Os cientistas descobriram que as freqüências Beta 18HZ e 13HZ, Gama 40HZ atuam em funções cognitivas complexas.

Relaciona-se em processos de Relaxamento, Visualização, Meditação

Quando você está relaxado, sua atividade cerebral baixa do padrão Beta que é rápido para as ondas Alfa que são mais lentas. Sua consciência interna expande. Sua energia criativa começa a fluir e a ansiedade desaparece. Você experimenta uma sensação de paz e bem-estar.
A utilização de programas com ondas alfa é muito indicado para tratamento do estresse, são excelentes para a solução serena de problemas, memorização, relaxamento e praticas de visualização.
Escolha os programas Alfa quando você desejar obter níveis profundos de relaxamento.

A faixa de ondas Alfa está entre 7-12 HZ. Em Alfa, nós acessamos mais facilmente nossa capacidade dormente - ela funciona como um portal para estados de consciência mais profundos.
Dentro da faixa Alfa, está a Ressonância Schumann de 7.83 HZ, a freqüência do campo eletromagnético da Terra, essa freqüência tem chamado muita atenção dos cientistas da área de neuro-acústica pelos seus imensos benefícios.

Para meditar, reduzir estresse e relaxar com Alfa, experimente essa meditação.

Relaciona-se em processos de Meditação, Intuição/Criatividade e Memória

Aprofundando ainda mais o relaxamento, você entra no misterioso estado Teta onde a atividade cerebral baixa quase a ponto do sono.
Teta é o estado cerebral onde incríveis capacidades mentais ocorrem. O estado Teta propicia flashes de imagens do inconsciente, criatividade e acesso a memórias à muito tempo esquecidas.
Teta leva você a estados profundos de meditação. Você pode sentir a sua mente expandir além dos limites do seu corpo.

As ondas Teta têm um importante papel em programas de modificação de comportamento e têm sido usado no tratamento do vício de drogas e álcool. Teta é também o estado ideal para aprendizagem acelerada, reprogramação mental, lembrança de sonhos, criatividade e aumento da memória.

A faixa das ondas Teta está entre 4-7 HZ.
Em Teta, nós estamos como num "sonho acordado", ficamos receptivos a informações que estão além do nosso estado normal de consciência, ativando estados mentais extra-sensoriais. 

Relaciona-se em processos de Consciência expandida, Cura e Recuperação

Delta é a mais baixa de todas as freqüências de ondas cerebrais. Está associada com o sono profundo, algumas freqüências na faixa Delta liberam o hormônio do crescimento humano(HGH ) que é muito benéfico para a regeneração celular e a cura, HGH é um hormônio associado com o crescimento humano e com a saúde celular no corpo.
Os níveis de HGH em indivíduos adolescentes saudáveis estão em pico e diminui no decorrer de nossa vida.

Delta é a onda cerebral para o acesso ao inconsciente, onde a intuição pode aflorar facilmente.
Os programas que contém Delta são ideais para o sono, a recuperação física/mental e meditação profunda. A faixa Delta está entre 0.1 - 4 HZ. 

ESSE EXERCÍCIO SERVE PARA QUE O ESTUDANTE POSSA CONTROLAR SUAS ONDAS TETHA...AS ONDAS TETHAS SÃO RESPONSAVEIS PELA REFORMA CEREBRAL DE SUGESTÕES QUE QUEREMOS EM NOSSAS VIDAS.



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Escala Bergen de Dependência do Facebook


Agora você pode avaliar-se usando a Escala Bergen de Dependência do Facebook. Ela foi desenvolvida pela psicóloga Cecilie Schou Andreassen, da Universidade de Bergen (daí o nome), que revela que – sem surpresas – que os sintomas de vício por Facebook são bem parecidos com vício em álcool ou drogas. Uma questão: porque esse teste não é oferecido para nós assim como os terríveis quizzes que o Facebook fazia a gente responder até pouco tempo atrás? De qualquer forma, prepare-se para ser diagnosticado.
Para se analisar usando a escala, leia os próximos tópicos e responda a eles uma das alternativas seguintes: 1) muito raRAmente; 2) raramente; 3) às vezes; 4) muitas vezes e 5) sempre, para cada um, sobre de quanto em quanto tempo você faz a ação questionada. Lá vai:
I - Você gasta muito tempo pensando sobre Facebook ou planejando usar o Facebook.
1)    muito  raramente;
2)     raramente;
3)     às vezes;
4)    muitas vezes;
5)    sempre.
II - Você sente desejo de usar o Facebook mais e mais.
      1) muito raramente;
      2) raramente;
      3) às vezes;
      4) muitas vezes;
      5) sempre
III - Você usa o Facebook para esquecer dos seus problemas pessoais.
      1) muito raramente;
      2) raramente;
      3) às vezes;
      4) muitas vezes;
      5) sempre
IV - Você tentou parar de usar o Facebook, mas sem sucesso.
1)    muito  raramente;
2)    raramente;
3)    às vezes;
4)    muitas vezes
      5) sempre
V -  Você fica inquieto ou perturbado quando é proibido de usar o Facebook.
       1) muito raramente
       2) raramente;
       3) às vezes;
       4) muitas vezes
       5) sempre
VI -  Você usa o Facebook tanto que isso causou um impacto negativo no seu trabalho ou estudos.
1) muito ramente;
2) raramente;
3) às vezes;
4) muitas vezes;
 5) sempre.

Se você marcou as alternativas 4 ou 5 em ao menos quatro desses itens, você pode ser um viciado em Facebook. Então, o que você deve fazer? Sinta-se livre para responder essa questão postando no seu status da rede social caso você sinta necessidade. Você precisa dar um check in em uma clínica de reabilitação para Facebook?









Por que é tão difícil sair do Facebook?
Imagem: www.mediaspin.com

Há menos de uma década atrás o Facebook nem existia... As maiores preocupações de pais, pedagogos, psicólogos, enfim todos que interagem com crianças e adolescentes giravam em torno da Internet e jogos de computadores, pois esses sim representavam um “risco viciante” para essa geração.  Nesta recente época nem se cogitava compartilhar detalhes íntimos de nossas vidas em frações de minutos.


Hoje isso tudo mudou. São milhões de pessoas que possuem páginas no Facebook. São pessoas dos mais diferentes perfis, idades, condições econômicas, grau de escolaridade, sem enumerar as diversas profissões. E o interessante é que para se utilizarem dos recursos disponíveis pelo Facebook, todos devem passar pelo caminho da experimentação, observação e enfim aprendizagem ou seria processo de “alfabetização facebookiana”?!
 Aprender a curtir, compartilhar, enviar mensagens, o que para alguns parece algo fácil e corriqueiro, para outros requer certo tempo de aprendizagem.  Mas, como tudo é alvo de pesquisas, na Universidade de Chicago “Booth School of Business”, um recente estudo concluiu que “twittar” ou verificar e-mails podem ser muito mais difícil de resistir do que deixar o vício de cigarros ou álcool, e alguns dos entrevistados revelaram que sente mais vontade de estar nas mídias sociais do que dormir ou manter relações sexuais.


E o Facebook?



Bem, o Facebook apresenta um lado bom, positivo, pois segundo Deborah Serini[1], ele serve como um caminho para recuperar o atraso, marcos importantes de amigos... familiares, verificar as fofocas ou experiências dos outros. É como se fosse um jogo de controle social, ou seja, uma forma de nos ligar com os outros.
 Para Elika Kormeill[2], a razão pela qual o Facebook se mostra tão viciante é devido à gratificação instantânea que ele oferece: existe um sentimento de satisfação cada vez que alguém “curte” ou comenta sua atualização de status, aumentando assim nossa autoestima e alimentando dessa forma o ciclo do Facebook.

Para Kormeill, “as pessoas são criaturas sociais que anseiam interação humana, e a mídia social nos permite encontrar informações sobre os outros de uma maneira que é socialmente aceitável e, na maior parte desconhecida para outros. Podemos nos conectar com nossos amigos, familiares, encontrar pessoas com estilos de vida semelhantes aos nossos, o que nos dá a noção de que o mundo não parece ser um lugar tão grande e solitário.”

Enfim, você nunca sabe quando  poderá ter uma nova mensagem, solicitação de amizade ou ver uma atualização de status de alguma outra página. Há sempre um convite para voltar, não se demonstrando muito diferente de uma máquina caça-níquel: Você coloca o dinheiro e nunca sabe quando poderá ganhar, pode ser agora ou quem sabe a partir de determinado momento. O reforço ocasional ou a vitória é o que fornece a esperança para manter você jogando...

As pessoas através do Facebook criam uma identidade online selecionada, pois de certa forma estão sempre mostrando o que há de melhor nelas. Escolhem suas melhores fotos, pensamentos com mensagens positivas, criando  nos outros uma “imagem” ou “memória” de alguém completamente seletivo.

Alguns terapeutas comentam casos de pacientes que passam horas e horas tentando criar frases para postar em seu status, como forma de impressionar seus “amigos” do Facebook.



Mas qual a relação Cérebro X Facebook?





Logo que se faz o logon no Facebook, o sistema de recompensa do cérebro é ativado, subindo os níveis de neurotransmissores dopaminérgicos, os quais nos trazem sensação de  bem estar. O problema é que para alguns isso dura pouco tempo, então para ocorrer nova sensação de prazer, eles necessitam de mais experiências sociais, verificando com frequência, quantos curtiram, compartilharam ou comentaram suas postagens.

Um estudo recente por neurocientistas da Harvard descobriu que falar de nós mesmos nos traz uma espécie de prazer semelhante ao que sentimos ao comer, fazer sexo ou receber dinheiro.  Quanto mais envolvimento a pessoa tem no Facebook, mais feedback e atenção vai ter,  o que reforça a necessidade de continuamente gastar tempo em  melhorar a sua imagem no Facebook.  

Em crianças, isso pode levar a resultados problemáticos, pois o cérebro não está completamente desenvolvido, então quando elas logon em uma rede social esperando elogios, comentários positivos, pode mexer com suas mentes.

Nota: numa recente pesquisa, cerca de quatro em cada cinco estudantes experimentaram sofrimento mental, pânico, confusão e isolamento extremo quando forçados a desligar da tecnologia por um dia inteiro. 
Obs.: O texto acima encontra-se com boa parte traduzida da postagem "Why is Facebook so hard to quit?" onde as demais fontes me serviram de fundamentação para  leitura e entendimento de algumas das questões abordadas pelos pesquisadores acima. Na postagem "Science Why We Brag So Much" existe a possibilidade de ver através de gravura de neuroimagem as áreas ativadas quando as pessoas falam de si mesmas, seja em uma conversa pessoal ou em sites de mídia social tais como o Facebook e o Twitter. Para fazer um teste de quanto está seu comprometimento com as redes sociais, baste acessar a postagem "Seu cérebro pode estar viciado no Facebook" e a relação sexo X mídias sociais, pode ser lida com maior fundamentação na postagem "Postar no Facebook, para o cérebro, é igual fazer sexo". 

Disponível em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2012/09/por-que-e-tao-dificil-sair-do-facebook.html?spref=fb
Fontes de pesquisa:

HOTZ, Robert. Science Reveals Why We Brag So Much. Disponível on line em:http://online.wsj.com/article/SB10001424052702304451104577390392329291890.html?mod=rss_Health
MURDOCH, Cassie. Seu cérebro pode estar viciado no Facebook. Disponível online emhttp://jezebel.uol.com.br/seu-cerebro-pode-estar-viciado-no-facebook/
RELPH, Mridu. WHY IS FACEBOOK SO HARD TO QUIT? Disponível online em:http://brainworldmagazine.com/why-is-facebook-so-hard-to-quit




sexta-feira, 2 de novembro de 2012

5 doenças assustadoras que afetam o cérebro


Patologias raras que afetam o cérebro podem resultar em doenças bizarras e que beiram o inacreditável.

O cérebro é considerado o principal órgão do corpo humano e a central de comando de todo o sistema nervoso. Por sua complexidade, pouco ainda se sabe sobre as reais capacidades e as infinitas possibilidades que ele esconde. Apesar das novas descobertas, dia após dia médicos e pesquisadores se veem diante de novidades, e alguns mistérios permanecem insolúveis.
Um órgão tão complexo só poderia gerar patologias complexas. Algumas doenças relacionadas ao cérebro provocam sintomas curiosos, fazendo com que o portador da disfunção sofra alucinações ou disfunções assustadoras. Conheça algumas das raras doenças capazes de provocar no ser humano o pior dos pesadelos.

Síndrome de Fregoli

5 doenças assustadoras que afetam o cérebro

A Síndrome de Fregoli foi diagnosticada pela primeira vez em 1927, pelos médicos P. Courbon e G. Fail, e seu nome tem relação com o ator italiano Leopoldo Fregoli, conhecido à época pela sua habilidade de fazer rápidas mudanças de aparência em cena.
Com características que incluem transtornos delirantes persistentes e esquizofrenias, o portador da síndrome tem a nítida sensação de que uma pessoa, geralmente familiar, o está perseguindo e repetidamente modifica a sua aparência para justificar o ato. Assim, o paciente pode imaginar que o médico, o porteiro do prédio ou o taxista são a mesma pessoa, apenas usando um disfarce para continuar a perseguição.
A síndrome pode estar relacionada a uma lesão cerebral, mas também há casos de natureza paranoica. O tratamento é feito com medicamentos e, em geral, o portador pode apresentar outras patologias como depressão, psicose e esquizofrenia. Antipsicóticos, anticonvulsores e antidepressivos estão entre os tipos de remédios utilizados no processo de cura.

Síndrome da Má Identificação Delirante

5 doenças assustadoras que afetam o cérebro
Trata-se de uma síndrome causada por distúrbios neurológicos no lado direito do cérebro e que afeta a experiência de percepção da pessoa. Os portadores dessa patologia não conseguem reconhecer a própria imagem em um espelho, tendo ilusões de que o rosto que visualizam é o de outra pessoa.
O distúrbio também vem acompanhado de outros sintomas que podem levar a mais patologias, como a esquizofrenia, por exemplo. O delírio é considerado monotemático, uma vez que as ilusões se resumem apenas à própria imagem e não a outras coisas.
Acidente vascular, traumatismo crânio-encefálico e doenças neurológicas estão entre as principais causas dessa síndrome que, embora menos rara do que a Síndrome de Fregoli, também é pouco encontrada. Distúrbios nesse sentido já foram retratados no episódio “Heart of Glass” da série “CSI: Nova York” e no filme “O Olho do Mal”.

Agnosia Visual

5 doenças assustadoras que afetam o cérebro
Normalmente associada a danos cerebrais ou doenças neurológicas, a agnosia visual é a perda da capacidade de reconhecer pessoas, objetos sons e formas. O termo agnosia significa perda de conhecimento e é exatamente isso o que acontece com os portadores dessa patologia. Eles podem olhar para um objeto comum, como uma caneta, e não conseguir identificar o que é.
A deficiência, em geral, está associada a danos cerebrais e doenças neurológicas na região do lobo temporal. O estresse é também uma das causas que ajudam a potencializar os sintomas dessa doença. Por se tratar de uma alteração intermediária entre a sensação e a percepção, os sentidos permanecem inalterados, sendo o problema pontual.
Apesar de o distúrbio requerer tratamento e acompanhamento médico, a má notícia é que a agnosia visual é permanente e os portadores da patologia precisam aprender a conviver com ela para o resto da vida. Grosso modo, é como se você precisasse enfrentar a situação descrita no filme “Como Se Fosse a Primeira Vez” todos os dias.

Prosopagnosia

5 doenças assustadoras que afetam o cérebro
Conhecida popularmente como “cegueira das feições”, a prosopagnosia é uma doença rara e que afeta diretamente como a vítima vê os rostos de outras pessoas. Apesar do pequeno número de relatos, pesquisas recentes apontam que 1 em cada 50 pessoas sofre desse mal, ainda que em menor escala.
Associada a lesões cerebrais ou doenças neurológicas, pouco se sabe sobre o mal e algumas hipóteses apontam até mesmo para hereditariedade. O portador dessa disfunção não consegue distinguir as feições de uma pessoa, como olhos, nariz e boca, vendo uma mancha única.
Como o reconhecimento dos detalhes do rosto é parte importante no processo de formação da memória, a ausência deles pode causar sérios problemas de socialização para os portadores. Poucas terapias desenvolvidas para minimizar o problema foram bem-sucedidas.

Somatoparafrenia

5 doenças assustadoras que afetam o cérebro
A somatoparafrenia, assim como a Síndrome da Má Identificação Delirante, é uma disfunção monotemática, ou seja, isolada. O paciente acredita seriamente que uma das partes do seu corpo não faz parte do seu organismo. Assim, ele é capaz de se lesionar e até mesmo amputar um braço, apenas por achar que ele pertence à outra pessoa.
Vítimas com essa síndrome têm danos em uma região do cérebro chamada homúnculo, uma espécie de mapa corporal. A região é responsável por “catalogar” todas as partes do seu corpo para que você possa manter o controle sobre cada uma delas. Apesar da disfunção, o paciente ainda consegue mover os membros normalmente, apenas não os reconhece como sendo parte de si.
Um caso curioso relacionado à disfunção ocorreu em 1997. O cirurgião Robert Smith recebeu um pedido de um paciente para que amputasse uma das pernas, que a vítima acreditava não ser dela. Surpreendentemente o médico aceitou o pedido e, semanas depois, recebeu dezenas de outros do mundo todo solicitando que ele fizesse o mesmo em outras pessoas.
.....
Assim como as doenças acima, existem muitas outras, em menor escala, capazes de provocar reações curiosas para quem observa. Embora os sintomas possam apresentar variações, a melhor maneira de descobrir qual é o problema é sempre consultando um médico especialziado, sem tentar se enquadrar em uma categoria ou outra por conta própria.

Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/ciencia/15935-5-doencas-assustadoras-que-afetam-o-cerebro.htm#ixzz2AlSjsViJ

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

TDAH – DA SUSPEITA AO DIAGNÓSTICO


Nos artigos anteriores vimos como os sintomas do TDAH se manifestam e se combinam nas várias etapas da vida, veremos aqui alguns instrumentos úteis que ajudam a tornar mais consistente a suspeita do transtorno.

Uma vez justificada a suspeita, a consulta ao médico deve ser preparada e agendada. 
No final do capítulo analisaremos alguns aspectos do diagnóstico do TDAH.
É importante relembrar que o TDAH é um transtorno mental de origem neurobiológica e que o diagnóstico é um ato de competência e responsabilidade médica. Portanto, só este profissional poderá confirmar o diagnóstico e desenvolver estratégias para o tratamento.

A suspeita

Existem numerosas escalas e questionários elaborados para orientar pais e mestres na suspeita diagnóstica do TDAH. Os pais, auxiliados pelos mestres, respondem perguntas referentes ao comportamento da criança nos vários contextos do seu dia-a-dia.
A partir de um determinado número de respostas positivas, que indicam a ocorrência dos sintomas do TDAH, se estabelece um grau de probabilidade para o diagnóstico.
Muitos destes questionários apresentam alta confiabilidade, pois são aplicados e testados por métodos científicos.
Analisaremos aqui a tradução do SNAP-IV, validada pelos pesquisadores do GEDA (Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do PRODAH (Programa de Déficit de Atenção/Hiperatividade do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas de Porto Alegre/UFRGS). Esta tradução pode ser encontrada no site da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (http://www.tdah.org.br/).
Para cada item deve-se escolher o grau que melhor descreve a criança e assinalar o boxe correspondente com um X. Por exemplo, no primeiro item: não consegue prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou tarefas. Apenas uma das seguintes opções deverá ser escolhida: não ocorre nem um pouco, ocorre só um pouco, ocorre bastante ou ocorre demais.


 Nem um pouco
 Só um pouco
Bastante
Demais
1. Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou 
comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou tarefas.




2. Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas 
ou atividades de lazer




3. Parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com 
ele




4. Não segue instruções até o fim e não termina deveres 
de escola, tarefas ou obrigações.




5. Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades




6. Evita, não gosta ou se envolve contra a vontade em 
tarefas que exigem esforço mental prolongado.




7. Perde coisas necessárias para atividades 
(p. ex: brinquedos, deveres da escola, lápis ou livros).




8. Distrai-se com estímulos externos




9. É esquecido em atividades do dia-a-dia




10. Mexe com as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira




11. Sai do lugar na sala de aula ou em outras situações em 
que se espera que fique sentado




12. Corre de um lado para outro ou sobe demais nas coisas 
em situações em que isto é inapropriado




13. Tem dificuldade em brincar ou envolver-se em atividades 
de lazer de forma calma




14. Não pára ou freqüentemente está a mil por hora.




15. Fala em excesso.




16. Responde as perguntas de forma precipitada antes 
delas terem sido terminadas




17. Tem dificuldade de esperar sua vez




18. Interrompe os outros ou se intromete 
(p.ex. mete-se nas conversas / jogos).





Observe que enquanto os itens de 1 a 9 apontam para características de desatenção, os de 10 a 18 referem-se à hiperatividade e impulsividade.
Se foram assinalados ao menos seis boxes vermelhos e/ou seis azuis, há suspeita de TDAH.
Havendo a suspeita, poderemos ter três situações diferentes:
1.   Foram assinalados seis ou mais boxes vermelhos e seis ou mais boxes azuis. Neste caso a suspeita é de TDAH combinado, ocorrem tanto sintomas de desatenção quanto de hiperatividade/impulsividade.
2.   Foram assinalados seis ou mais boxes vermelhos e menos de seis boxes azuis. A suspeita é de TDAH predominantemente desatento, também denominado apenas como TDA, condição em que os sintomas de hiperatividade/impulsividade não ocorrem ou são discretos.
3.   Foram assinalados seis ou mais boxes azuis e menos de seis boxes vermelhos. A suspeita é de TDAH predominantemente hiperativo/impulsivo, condição em que a desatenção é menos evidente. 
Para o diagnóstico final o profissional necessitará de outras informações que serão analisadas adiante neste capítulo.
Sendo consistente a suspeita, o passo agora é preparar-se para a consulta.

Preparando-se para a consulta

O primeiro passo talvez seja o mais difícil, preparar seu filho para a consulta!
Muitas vezes a criança ou o adolescente não sabe o que foi fazer no consultório médico. Não é raro recusarem dar informações, brigarem com os pais ou até mesmo saírem da sala sem dar qualquer satisfação.
É de extrema importância que estejam conscientes do motivo e da necessidade da procura ao profissional. Durante a consulta suas fraquezas serão reveladas, expostas e, para isso, é imprescindível a sua autorização e colaboração.
Nesta fase da vida, o portador de TDAH normalmente não tem consciência das suas dificuldades ou alega os mais variados motivos.
Pais sensíveis e dispostos para o diálogo conseguirão vencer esta difícil etapa tendo como aliados a paciência e o tempo.    
A seguir estão enumeradas algumas dicas para os pais, que auxiliarão o profissional a obter as informações necessárias para o diagnóstico:
1.   Verifique se os comportamentos assinalados no questionário também são observados em outros contextos além da casa e da escola. Eles ocorrem estando a criança ou o adolescente com os amigos, sem os pais por perto? Ocorrem na casa dos avós, na viajem com os tios ou na companhia dos amigos? Ocorrem mesmo estando sozinho sem a companhia dos outros?
2.   Procure lembrar-se com que idade a criança começou a apresentar cada um destes sintomas.
3.   Avalie que tipo de conseqüências estes sintomas provocaram na vida da criança ou do adolescente até aqui. Chamamos isso de impacto. Para isso analise os vários contextos: vida familiar, social, escolar, etc.
4.   Consiga com a escola um relatório sobre o comportamento e desempenho da criança ou do adolescente, suas qualidades e deficiências, sua capacidade de atenção, sociabilidade, etc.
5.   Recorde a história pregressa do seu filho, recorra a possíveis anotações. Quais foram as condições da sua gestação e parto? Como transcorreu o seu primeiro ano de vida, o desenvolvimento físico e mental? Com que idade deu os primeiros passos, falou as primeiras palavras, tirou as fraldas, se vestiu sozinho, reconheceu cores... Como vimos antes, estes marcos do desenvolvimento serão importantes para o profissional e no momento da consulta pode ser difícil recordar.
6.   Lembre-se das doenças pregressas, especialmente se motivaram internação hospitalar ou acometeram o sistema nervoso da criança (meningite, traumatismo craniano grave, convulsão). Reúna exames da época para que o profissional possa melhor avaliar a possível correlação com o quadro comportamental atual.
7.   Anote os problemas de saúde e o eventual uso contínuo de medicamentos. Recorde-se de possíveis reações alérgicas ocorridas no passado.
Agora é hora de escolher o profissional.
Atualmente muitos pediatras encontram-se capacitados e interessados no diagnóstico e tratamento do TDAH. Converse com ele, se acompanhou seu filho desde pequeno certamente terá uma visão privilegiada do seu desenvolvimento físico e mental.
No entanto, podemos considerar o psiquiatra e o neurologista da infância e adolescência como os especialistas mais indicados para a abordagem do problema.
Na página da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (www.tdah.org.br), encontram-se enumerados especialistas em vários estados brasileiros que se dedicam ao estudo e atendimento de pacientes portadores de TDAH.

TDAH: um diagnóstico clínico

No passado o médico enfrentava muitas dificuldades para fazer um diagnóstico clínico.
Diagnóstico clínico é aquele feito com base nos sinais e sintomas que um paciente apresenta, diferente de um diagnóstico laboratorial que é dado a partir do resultado de um exame. Tome como exemplos o diagnóstico de diabetes através da dosagem de glicose no sangue, de uma infecção urinária pelo exame de urina ou de uma pneumonia por uma radiografia.
Sobretudo em Psiquiatria, os diagnósticos são feitos de forma clínica uma vez que os transtornos não apresentam ainda marcadores biológicos que possam ser identificados ou quantificados através de exames laboratoriais.
Em Neurologia, numa escala menor, muitos diagnósticos também são feitos de forma clínica, como é o caso da enxaqueca. Este diagnóstico, por exemplo, é definido pelas características da dor de cabeça como o tipo de dor (latejante, pulsátil e que piora com o esforço físico), a sua intensidade (moderada a forte), duração dos ataques e os sintomas que acompanham a dor (náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e sons).
Ocorre o mesmo no TDAH, trata-se de um diagnóstico clínico baseado nas informações acerca das manifestações clínicas até aqui descritas.
No entanto, até pouco tempo atrás, para um mesmo paciente em questão, o diagnóstico de TDAH firmado por um médico muitas vezes não coincidia com o de outro. Havia uma grande variabilidade de definições e interpretações para o diagnóstico. O resultado era uma verdadeira confusão.
O conhecimento científico ficava impedido de avançar uma vez que as pesquisas não podiam ser comparadas, pois os critérios utilizados eram diversos.
Este problema foi resolvido com o desenvolvimento de critérios operacionais para o diagnóstico dos transtornos mentais, organizado e pela Associação Psiquiátrica Americana e atualmente na sua quarta edição (DSM-IV).
Estes critérios foram sendo aperfeiçoados, testados cientificamente e, aos poucos, passaram a ser utilizados de maneira uniforme em todo o mundo. Isto propiciou um avanço considerável no diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais.

Critérios para o diagnóstico

No passado a hiperatividade era considerada o elemento principal para o diagnóstico do TDAH. Na década de 70 o transtorno era chamado de Síndrome da Criança Hiperativa ou Reação Hipercinética da Infância, isto porque acreditava-se também que esta condição não ocorria em adultos.
Com o avanço nas pesquisas e diagnóstico do transtorno, os conceitos mudaram e a dificuldade de atenção passou a ser o sintoma central para o diagnóstico. Além disso, o TDAH passou a ser mais claramente identificado em adultos.
Significa dizer que para o diagnóstico de TDAH é preciso haver algum grau de dificuldade de atenção, sem necessariamente estar presente a hiperatividade e a impulsividade.
A partir destas observações foi proposta uma classificação do TDAH: o predominantemente desatento (ou também denominado TDA), o predominantemente hiperativo-impulsivo e o combinado.
Como definem os termos, no tipo predominantemente desatento os sintomas de hiperatividade e impulsividade não existem ou são pouco evidentes e no predominantemente hiperativo-impulsivo estes sintomas prevalecem sobre a desatenção.
Já no tipo combinado todos os sintomas se manifestam de forma exuberante, a dificuldade de atenção, a hiperatividade e a impulsividade.
O grupo combinado é o mais freqüentemente diagnosticado, em torno de 55 a 62% dos casos (21, 22).
A primeira etapa do diagnóstico compreende a constatação e quantificação dos sintomas, como vimos no SNAP-IV.
Na segunda etapa compete ao profissional verificar os seguintes pré-requisitos para o diagnóstico:
1.   Alguns dos sintomas necessariamente se manifestaram antes dos sete anos de idade. Um adolescente com quadro inédito de desatenção, hiperatividade e impulsividade iniciado há poucos meses não apresenta TDAH.
2.   Os sintomas ocorrem em mais de dois contextos diferentes: vida familiar, escolar ou social.  
3.   Nestes vários contextos os sintomas provocam um impacto negativo evidente sobre o portador: baixo desempenho e retenção escolar, acidentes, infantilização, dificuldades de sociabilidade, delinqüência, etc.
4.   Outros transtornos mentais podem cursar com os mesmos sintomas e confundir o diagnóstico de TDAH, por exemplo: deficiência mental leve, psicoses e depressão.

A importância do exame clínico-neurológico

O exame clínico-neurológico do paciente é importante não apenas para afastar outras possibilidades diagnósticas, mas também revelar anormalidades que frequentemente são observadas na criança e no adolescente com TDAH.
Determinadas lesões localizadas naquelas áreas cerebrais responsáveis pelo TDAH podem provocar os mesmos sintomas: asfixia neonatal, hemorragia cerebral do prematuro, encefalites, tumores cerebrais, etc.
O exame neurológico deste paciente pode guiar a suspeita e determinar a realização de exames de imagem do cérebro (tomografia ou ressonância magnética).
Apesar da sua rara ocorrência na infância e adolescência, o hipertireodismo (funcionamento excessivo da tireóide) é outra condição que pode simular o TDAH. Neste quadro a criança ou adolescente pode apresentar tremor, suor excessivo, batimento cardíaco acelerado e anormalidades à palpação da tireóide, localizada na parte da frente do pescoço.
Outras condições clínicas gerais que devem ser afastadas são as anemias severas e deficiências nutricionais.
Deficiência visual e auditiva sempre deve ser pesquisada, ainda que grosseiramente, pelo exame clínico-neurológico. Especialmente nas crianças mais novas, anormalidades sutis podem simular o TDAH.
O exame neurológico da criança e do adolescente com TDAH pode revelar dificuldades de coordenação e de equilíbrio, baixa persistência na atividade motora e excessiva movimentação corporal.        Estes pacientes freqüentemente apresentam dificuldade para fixar ou rastrear um objeto com o olhar ou permanecer com os olhos fechados. Estes e outros sinais podem indicar deficiência nos circuitos responsáveis pela capacidade de atenção visual. 

Exames laboratoriais

Em algumas situações clínicas os exames laboratoriais serão de grande utilidade: tomografia e ressonância magnética cerebral, dosagem dos hormônios da tireóide, hemograma e outros exames de rotina.        
Como já vimos, a intoxicação pelo chumbo pode provocar na criança pequena um quadro semelhante ao TDAH. Embora sua ocorrência esteja relacionada ao contexto ocupacional, por exemplo, locais onde se manipula bateria de automóveis, recentemente pudemos assistir num programa de grande audiência na televisão, que muitos filtros domésticos permitiam a passagem de alta concentração de chumbo para a água.
Estudos detalhados devem ser urgentemente realizados para averiguar a veracidade desta suspeita e sua possível correlação com o TDAH.
Nos casos de forte suspeita podemos dosar em laboratório a quantidade de chumbo no sangue.
A criança com suspeita de deficiência visual ou auditiva deverá ser encaminhada para avaliação otorrinolaringológica e oftalmológica.
O eletrencefalograma quantitativo pode revelar um alto teor de determinadas ondas (alfa e teta) nas regiões anteriores do cérebro. Esta e outras características neurofisiológicas já foram exaustivamente estudadas, mas não são específicas do TDAH, ou seja, a especificidade não é de 100%.
No entanto, se o profissional pretende iniciar o tratamento da criança com medicamento psicoestimulante deve certificar-se através do eletrencefalograma se ela não apresenta o que popularmente é chamado de foco.
O uso de psicoestimulantes pode ser contra-indicado em Indivíduos que apresentem foco epiléptico, pois o mesmo pode ser ativado.

A importância das avaliações complementares

A avaliação da atenção através de testes neuropsicológicos clássicos ou computadorizados pode ser útil, não para dar o diagnóstico, como vimos ele é clínico, mas para se ter mais detalhes quantitativos e qualitativos do déficit atencional.
Temos no Brasil o TAVIS-2R que é um teste de atenção computadorizado normatizado na população brasileira, ou seja, os valores de normalidade foram estabelecidos a partir dos resultados obtidos em grandes amostras de indivíduos de várias idades no nosso meio, o que aumenta sua confiabilidade.
Através deste teste podemos avaliar o tipo e o grau de desatenção que a criança ou adolescente com TDAH apresenta, ou seja, seu perfil atencional.
No decorrer do tratamento ou em situações de retirada da medicação o teste pode ser repetido, trazendo mais informações para o médico sobre o andamento do processo.
A avaliação neuropsicológica examina as várias habilidades cerebrais envolvidas no processo de aprendizagem: quociente de inteligência, capacidade de atenção, cálculo, memórias, linguagem, coordenação visual-espacial e outras.
No contexto do TDAH, a avaliação neuropsicológica será de grande importância nas seguintes situações: quando é necessário afastar a possibilidade de deficiência mental, na suspeita de dislexia ou de outros distúrbios específicos da aprendizagem, na criança superdotada e nos casos de TDAH que não respondem adequadamente ao tratamento medicamentoso.
A avaliação fonoaudiológica será muito importante nos casos em que a criança com TDAH apresenta atraso na aquisição da linguagem, distúrbios da fala (fala acelerada, alterações da modulação do volume da voz), dificuldades na escrita ou leitura e, principalmente, se há suspeita de dislexia.
Nas crianças com TDAH e dificuldades na aprendizagem, a avaliação psicopedagógica poderá ser útil para examinar dificuldades específicas, mas será fundamental na elaboração das estratégias de tratamento.

Texto extraído do livro Levados da Breca
 de autoria do mesmo autor do artigo