sexta-feira, 1 de março de 2013

No país, 625 mil crianças com déficit de atenção não são diagnosticadas.

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São notícias como esta que precisam ser divulgadas, pesquisas científicas realizadas por profissionais sérios, competentes e comprometidos com a causa. E não achismos de quem ouviu dizer e não sabe explicar.

Pesquisadores avaliaram 6,3 mil menores de 5 a 12 anos em 18 Estados.
TDAH pode prejudicar as relações sociais e tarefas simples, diz médico.


O neurologista Marco Arruda, de Ribeirão Preto, é um dos coautores do estudo  (Foto: Adriano Oliveira/G1)

Pelo menos 912 mil crianças brasileiras de 5 a 12 anos - o equivalente a 3,3% da população infantil, segundo o IBGE - possuem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), mas nunca trataram. Outros 625 mil menores, 2,3% do total, nem sabem que têm a doença.
Esse é o resultado de um estudo realizado por psiquiatras e neurologistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Albert Einstein College of Medicine, nos Estados Unidos, e do Instituto Glia em Neurociência de Ribeirão Preto (SP).
A pesquisa avaliou uma amostra composta por 6.303 crianças nessa faixa etária em 87 cidades brasileiras, através de questionários aplicados aos pais e professores. A conclusão, apesar de ainda não ter sido publicada, já foi apresentada e premiada em congressos internacionais sobre TDAH.
O neurologista Marco Antônio Arruda explica que os índices preocupam os especialistas na medida em que o distúrbio pode prejudicar as relações sociais e a realização de atividades consideradas simples, porque os pacientes têm muita energia, não conseguem ficar parados ou tomar decisões importantes.
Arruda afirma que crianças com TDAH, por exemplo, têm risco sete vezes maior de sofrerem acidentes domésticos e nove vezes mais chances de serem hospitalizadas por contusões e fraturas, do que jovens da mesma idade que não possuem a doença.
“Quando chegam à Universidade, eles menos frequentemente terminam o curso. Na vida adulta, [essas pessoas] têm menor chance de emprego em tempo integral, maior risco de divórcio e suicídio”, disse.

“Nem toda criança que não para quieta tem TDAH"
Marco Antônio Arruda

Sintomas
O TDAH é caracterizado por uma disfunção no córtex pré-frontal, parte do cérebro responsável pela tomada de decisão, planejamento de ações e controle das emoções. Os sintomas do distúrbio são desatenção, dificuldade de planejar, montar estratégias e controlar as emoções, falta de organização, hiperatividade e impulsividade.
“Esses sintomas se combinam em graus diferentes de um paciente para outro. Nas meninas, esses dois últimos não aparecem muito porque são características mais ligadas ao sexo”, afirma o neurologista.
Além disso, Arruda alerta que os sintomas devem aparecer em todas as situações da vida da criança e não apenas em um único contexto. “A confusão está justamente no diagnóstico, porque ele deve ser feito através de diversos critérios clínicos. O TDAH não é um problema apenas de sala de aula. Nem toda criança que não para quieta tem TDAH”, disse.
Tratamento
Ao contrário do que se imagina, o tratamento para TDAH deve ser feito com uso de anfetaminas e estimulantes. O neurologista explica que a ministração de calmantes causa o efeito contrário, ou seja, a criança se torna ainda mais hiperativa. "Muitos pais dizem: 'Por isso que em dei antialérgico e ele ficou sem dormir a noite inteira.' Dando estimulante, você faz o 'breque' que existe no cérebro voltar funcionar corretamente", ilustra Arruda.
O médico afirma, porém, que o tratamento deve ser individualizado e contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, educadores, fonoaudiólogos, entre outros profissionais.
Apesar de o distúrbio ser herdado geneticamente, Arruda diz que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. "Existe forma dos pais serem orientados para ajudar essas crianças a organizarem melhor suas vidas em casa, na escola, no dia a dia."

 http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2012/11/no-pais-625-mil-criancas-com-deficit-de-atencao-nao-sao-diagnosticadas.html